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Pequenas Empresas Grandes Negocios - 2021-10-09

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SORRIDENTS CLÍNICAS ODONTOLÓGICAS

RE/MAX BRASIL

RAQUEL BOCATO HAUS OF RECORDS TEXTO ILUSTRAÇÃO

Quando a pandemia chegou ao Brasil, no início de 2020, fechar as portas estava longe de ser uma opção para a Sorridents Clínicas Odontológicas, já que, dos 400 mil atendimentos por mês, 100 mil eram de urgências e emergências. A franqueadora se reuniu com os franqueados, tratou dos desafios que viriam e apresentou um plano de ação: o SAC seria transformado temporariamente em teleodontologia, com migração das chamadas para os dentistas. “O paciente não sabe dizer se o que ele tem é um tratamento eletivo ou se é uma urgência ou emergência”, diz Carla Sarni, 47 anos, fundadora e CEO da marca. No primeiro caso, pedia-se que a pessoa esperasse para marcar consulta. Quem precisava de assistência imediata seguia para a unidade mais próxima que estivesse em sistema de plantão. Nas clínicas odontológicas, o protocolo de biossegurança foi reforçado. Os profissionais faziam rodízio, e a clientela era recebida com hora marcada – “como a mãe que passou a noite acordada com o filho que sentia dor de dente. Foi atendida no dia seguinte e enviou um vídeo para agradecer”. Se, por um lado, muitos sorriam por terem resolvido um problema na boca, por outro, diversos amargavam a falta de receita, pelo lockdown ou por redução nos atendimentos. “Desde a inauguração, não tinha fechado nem um mês sequer no prejuízo. Pela primeira vez, tive em dois meses seguidos – março e abril”, lembra o franqueado e economista Arlindo Fernandes Vieira Netto, 40 anos. Pior: em fevereiro de 2020, havia aberto sua segunda unidade em Muriaé (MG). “Foi bastante preocupante, porque foi um investimento muito alto”, afirma ele, acrescentando que o faturamento de seis dígitos no primeiro mês de funcionamento deu fôlego para passar por essa fase. A fundadora da Sorridents diz que o interesse por uma loja está ligado ao serviço da franqueadora. “Franqueado feliz é o que tem suporte e ganha dinheiro. Entrego mais do que tenho obrigação.” Quem busca fazer parte da rede passa por um teste de competências comportamentais. Vem, então, a consultoria de localização. Um especialista aprova o ponto; a franqueadora valida o projeto, que é acompanhado por uma equipe no período de obras. Antes da inauguração, o franqueado recebe treinamento; depois dela, tem o auxílio da equipe da franqueadora durante uma semana. “Sou muito próxima da rede. Todos têm meu celular.” Com oito unidades próprias e 297 franqueadas em 2020, a rede planeja chegar a mil até junho de 2023, oferecendo acesso, conforto, conveniência e qualidade, os quatro pilares da marca. O perfil de cliente que frequenta a clínica é diversificado. “Nasci para atender as classes C e D, mas entreguei tamanha qualidade que 37% do público é das classes A e B. Quem trata comigo? O rico emergente, que gosta de coisa boa por preço justo: eu.” PASSADO Nascida em Pitangueiras (SP), Carla, aos 9 anos, foi parar atrás do balcão da loja de roupas que a mãe acabara de comprar. “Para ela, cliente é uma bênção, e fui criada vendo isso.” Um ano antes de concluir o magistério, foi com um primo prestar vestibular em Alfenas (MG). Passou em odontologia, se formou, mudou-se para a capital paulista e foi parar em uma clínica na Vila Cisper, na Zona Leste de São Paulo, origem da Sorridents. Na sobreloja de uma padaria, com o aval dos proprietários, comprou materiais de qualidade e atendia de manhã até a noite. Quando decidiu ter seu próprio consultório, em 1995, os donos fizeram uma oferta de venda. Ao quitar as prestações, em vez de trocar a velha cadeira de dentista, Carla alugou uma sala ao lado e contratou uma amiga. Com o auxílio do namorado, descobriu que a unidade havia perdido R$ 4 mil, por descontrole no sistema de cartão. “Eu o convenci a pedir demissão, trabalhar comigo e fazer odonto”, afirma ela sobre o hoje marido, Cleber Soares, vice-presidente da rede. Compraram um imóvel no bairro e construíram a primeira sede. “Fizemos uma clínica toda em porcelanato, 12 salas, sala de espera só para crianças, anestesia computadorizada, tudo o que existia de mais moderno.” Em três meses, quadruplicaram o faturamento: “O negócio explodiu”. Em 2004, com 12 anos de experiência e 23 unidades próprias, aderiu ao sistema de franchising. Desenvolveu um sistema de gestão, comprou fábrica de alinhadores ortodônticos. Fundou um plano dental pautado em odontologia preventiva. Hoje, Carla preside o Grupo Salus, holding que conta com 6 marcas – DocBiz, GiOlaser, Mira Hospital Oftalmológico, Olhar Certo, Sorriden e Sorridents. O braço social fica por conta do Instituto Sorridents, que leva ações de saúde a regiões desassistidas. FUTURO Ambiciosa, Carla, que hoje estuda levar a marca para o exterior, diz: “Não sonhei chegar onde cheguei”. Mas quer ir além: “Minha meta é ter 10 milhões de clientes em 2023 e fazer uma festa no Allianz Parque [arena multiúso] para comemorar meus 50 anos”. Há desafios pela frente. O principal, segundo a fundadora da Sorridents, é manter a qualidade. Investir em sistemas e processos não é uma escolha, mas uma questão de sobrevivência. Oferecer cursos e treinamentos também é compulsório. Atualmente, é possível ter, em tempo real, informações sobre os pacientes, como procedimentos, dentista responsável e forma de pagamento. “Não tenho dificuldade para resolver o problema de um paciente. Se [em uma reclamação] ele tiver razão, devolvo o dinheiro ou refaço o tratamento. Se não, não leva.” E finaliza: “Somos a empresa a ser copiada”.

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