BOTANDO ÁGUA NO FEIJÃO

2021-12-02T08:00:00.0000000Z

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Os saraus, os almoços e as rodas de samba nas casas da designer gráfica e chef de cozinha Maria Julia Ferreira, 55 anos, e da atriz e jornalista Lica Oliveira, 57 anos – amigas de mais de duas décadas –, despertaram tanto a atenção de quem via os posts das duas que elas decidiram ter um espaço próprio. Da parceria, surgiu o Kaza 123, no bairro carioca de Vila Isabel, que une culinária, arte, moda e literatura para acolher a todos, promover o protagonismo negro e valorizar a cultura afro. Quem visita o local, aberto em 2020, vê que, em cada canto da casa, estão não só referências do combate ao racismo, mas de promoção à cultura. Lá, a livraria Kitabu vende obras de autores negros, a marca Complexo B comercializa roupas ligadas ao sincretismo religioso e, recentemente, a estilista Andreia Brasis trouxe bolsas, turbantes e acessórios. O Kaza promove também ao menos um evento por semana com músicos, espetáculos e exposições, reflexo da esperada reabertura. Para ampliar o local, as duas investiram R$ 48 mil em uma reforma feita em 2021. “O objetivo é ter comida boa, afeto, cultura e colocar os holofotes sobre o protagonismo negro para poder dar referências inclusive para as crianças”, diz Oliveira. O lugar abriga o restaurante Angurmê, para o qual a chef Ferreira trouxe especialidades que vendia quando participava de eventos e feiras com seu trailer. O carro-chefe do cardápio é o angu, feito à base de milho e servido acompanhado de molhos em várias versões (como a vegana). “O angu é uma herança africana, é chamado de comida de senzala. As mulheres negras vendiam angu no cais para sustentar suas famílias”, explica ela. Para refrescar os convivas – esperados em maior número no verão – e deixar o lugar ainda mais descontraído, o Angurmê já se prepara para colocar batidas e petiscos no menu. “Estamos trocando o pneu com o carro em movimento. Mas o que importa é manter esse caminho de prosperidade e mostrar que, sim, podemos ser e fazer o que sonhamos”, diz Ferreira.

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