VIAJAR É PRECISO

2021-12-02T08:00:00.0000000Z

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Aos 16 anos, Mônica Tavares teve uma banca de jornal em Simões Filho (BA), que acabou quebrando por inexperiência com os negócios. Anos mais tarde, montou a primeira livraria LGBTQIAP+ no Porto da Barra, que também fechou. Apesar dos insucessos, as lições (e as sementes) ficaram guardadas. Tavares foi estudar administração de empresas, como bolsista na Universidade Rui Barbosa, e conseguiu um estágio no Sebrae. “Tudo mudou desde que trabalhei no atendimento, como consultora de negócios e agente de orientação empresarial na implantação do MEI na Bahia, em 2009.” Com o conhecimento em gestão e finanças, criou a consultoria MEIBahia, que, desde 2012, ajuda microempreendedores a se formalizarem. “Ter contato com vários segmentos me fez enxergar oportunidades e investir em outras áreas”, diz. Em 2019, ela e três amigas abriram o bar Malembe, no centro histórico de Salvador – ponto não só de encontro, mas de combate ao machismo e ao racismo. “Com as dificuldades do turismo, o dono da pousada Tamboleiro, que fica em cima do bar, me fez uma proposta de venda. Eu e minha esposa decidimos encarar o desafio em 2020.” Para reformar a pousada, ela e Diana Rosa, 34 anos, investiram cerca de R$ 90 mil, com a proposta de alugar quartos em plataformas online. “O primeiro ano foi muito difícil, mas, com o avanço da vacinação, sentimos melhora. Na pandemia, oferecemos quartos para mensalistas e tivemos procura de pessoas de Salvador mesmo.” Para economizar, elas se mudaram para dentro da pousada, fizeram parcerias com o bar, com promoções de drinques grátis, e turbinaram a divulgação no Instagram. “O boca a boca aumentou, e o fato de sermos afroempreendedoras uniu pontes com parceiros que também querem que a grana circule entre nós”, diz Tavares, ao destacar que o movimento black money é uma realidade em Salvador – a capital mais negra do país. As férias de 2022 estão no radar há muito tempo, mas a empreendedora diz ser realista com as expectativas. “Até novembro, a ocupação chegou a 40%. Ainda temos vagas para final de ano, janeiro e fevereiro. Sei que não vai ser ainda o verão dos sonhos, mas será melhor. Lazer e entretenimento são indispensáveis para a saúde mental, após um período tão doloroso.” No final de novembro, “nasceu o terceiro filho” das empreendedoras no setor. O restaurante Roma Negra abriu as portas em um casarão com espaço para shows, exposições e valorização da cultura negra, em parceria com quatro investidores negros. No total foram aportados R$ 300 mil, e a previsão é a criação de 25 empregos – todos para a comunidade negra.

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