DESCARTE CORRETO PRÁTICO

Startup otimiza a coleta e a reciclagem de óleo de cozinha usado, dando novo destino ao material

TEXTO RENNAN A. JULIO

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

Infoglobo Conumicacao e Participacoes S.A.

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FRONT END - SUSTENTABILIDADE

Em 2019, depois de anos trabalhando no mercado imobiliário, o paulista Murilo Bachiavini Marcondes, 41 anos, decidiu tirar um ano sabático. Passou a oferecer consultoria para empresas, entre elas uma companhia do segmento de soja. Ali, deparou-se com uma questão sobre a qual nunca havia pensado: a complexidade da coleta e da reciclagem do óleo de cozinha usado. Decidiu se debruçar sobre o processo para entregar uma solução sustentável ao problema. Em setembro de 2021, fundou a OXMA, startup dedicada a otimizar essa cadeia. Um dos primeiros passos para estudar a ideia foi sondar grandes redes de restaurantes para entender como lidavam com o resíduo. Marcondes descobriu que, mesmo em marcas conhecidas de fast-food, o responsável pelo descarte costumava ser o gerente de cada unidade. “Ficou claro que a nossa proposta tinha valor. Então, comecei a ir atrás desses players”, diz. Mais do que ajudar empresas a descartar o óleo usado, a startup se propõe a aumentar o valor agregado do produto. Para isso, realiza um processo de “beneficiamento”, no qual impurezas sólidas e moléculas de água são extraídas, transformando o insumo em matéria-prima bruta para usinas de biocombustível. Em seis meses de operação, a OXMA coletou mais de 80 toneladas de óleo. A meta é chegar a 100 toneladas mensais até o fim do ano. Por ora, o material coletado está estocado em um parceiro comercial da startup. A empresa trabalha agora na construção de uma planta destinada ao processo de beneficiamento, que deve ser finalizada até junho. A cartela de clientes hoje inclui pequenos negócios do estado de São Paulo, mas o empreendedor diz já ter “conversas avançadas” com marcas maiores. Em parceria com o G10 Favelas, também realizará uma campanha para estimular o descarte correto de óleo por bares e restaurantes das comunidades atendidas pela instituição. “Mesmo que sejam 100 litros de óleo descartados corretamente, se 10 restaurantes toparem entrar nessa, a mudança já é muito grande”, diz. Para dar rastreabilidade ao processo, a startup permite que os clientes acompanhem e monitorem as coletas em uma plataforma online. O próximo passo é oferecer créditos de carbono para as companhias que aderem ao serviço. Para viabilizar essa frente, Marcondes encomendou um estudo de uma empresa suíça. A expectativa é que o índice seja publicado em revistas científicas e viabilizado dentro da operação ao longo dos próximos dois anos.

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