TUDO PARA as TRANÇAS

Empreendedora começou fazendo tranças como bico; hoje, além de um espaço próprio, tem marca de cosméticos e oferece cursos na área

TEXTO CARINA BRITO

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

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FRONT END - BELEZA

O interesse de Bruna Gonçalves, 29 anos, pelas tranças surgiu ainda na infância. Ela guarda na memória um dia em que, aos 12 anos, tentou trançar o cabelo da prima depois de sonhar com isso. Desde então, não parou mais de praticar. “Eu pegava modelos de tranças e tentava imitar. Também assisti a clipes na televisão com Beyoncé e Alicia Keys para copiar os desenhos”, afirma. No ano seguinte, ela passou a trabalhar em salões de beleza depois de voltar da escola. Cinco anos depois, o nascimento da sua primeira filha mudou a forma como ela encarava o ofício. “Percebi que tinha de levar a sério a profissão de trancista. Até então, encarava como um bico”, diz a empreendedora. Decidiu abrir seu próprio salão, com o nome pelo qual ela ficou conhecida: Brunex Hair. Para divulgar o negócio, localizado em Ribeirão Preto (SP), ela entregava panfletos no portão de escolas e supermercados. Mas o grande diferencial, segundo a empreendedora, foi aprender a aplicar cabelos orgânicos, que imitam os fios humano e são uma opção mais barata. Em 2014, a convite de uma cliente do salão, Gonçalves ministrou uma oficina de tranças em uma unidade do Sesc. Ali, percebeu que seria importante repassar o seu conhecimento adiante. “Via muitas mães solteiras, assim como eu fui, que precisavam trabalhar, mas não tinham com quem deixar os filhos”, afirma. “Eu consegui isso, já que levava a minha filha para o salão comigo. Queria que outras mulheres tivessem essa oportunidade”, completa. A empreendedora começou ensinando amigas que moravam perto de sua casa. Depois, lançou um curso, até então oferecido no próprio salão. A versão online foi lançada em 2019, pouco antes da pandemia, e foi fundamental para que a empresa mantivesse o faturamento no período. Segundo Gonçalves, as aulas já chegaram até a alunas de outros países, como Estados Unidos, Japão e Venezuela. Hoje, ela também gera receita vendendo os produtos que utiliza nas tranças das clientes. “Criei um shampoo há seis anos para utilizar no salão. O produto usado nas tranças precisa ser mais diluído, para não ficar acumulado no cabelo, e refrescante, para eliminar as impurezas”, explica. Com o dinheiro dos cursos, ela terceirizou a produção do item em uma fábrica e lançou a marca de cosméticos AkJoy. Com as três frentes de negócio, a empreendedora faturou R$ 820 mil em 2021. A meta é dobrar o valor neste ano. Seu próximo plano, para um horizonte de três anos, é lançar uma ONG para capacitar pessoas que queiram ser cabeleireiras e barbeiras. Para investir na organização, ela diz que separa mensalmente 10% do faturamento do curso e das vendas dos cosméticos.

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