ENSINAM-SE EMPREENDEDORAS

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

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Infoglobo Conumicacao e Participacoes S.A.

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DATA BASE - FAVELA 5.0

“Nasci e fui criada na favela do Fallet/Fogueteiro, no Rio de Janeiro. Tinha 15 dias de vida quando meu pai saiu de casa e largou minha mãe, convalescendo do parto, e minhas duas irmãs pequenas”, conta a empresária Erica Mester, 46 anos. Não é surpresa que ela tenha começado a trabalhar aos 12 anos, montando brinquedos em uma fábrica perto da sua casa. Nem que tenha virado empreendedora aos 17, fazendo e vendendo peças de biscuit. Embora tenha se formado em Direito, cursado pós-graduação e atuado na área, já teve 15 empreendimentos – e conquistou dois prêmios de empreendedorismo da Shell, com chancela da Unesco. Mesmo advogando, tocava negócios em paralelo. “Me tornei referência para minhas amigas quando o assunto era negócios. Um dia, recebi uma ligação de uma delas, desesperada. Ela tinha aberto uma loja em Saquarema [a cerca de 100 km do Rio] e estava com dificuldades”, lembra Mester. Tentou encontrar dicas e cursos na internet para ajudar a amiga, mas notou que tudo era longo demais e tinha linguagem complicada. “Como vi que nada disso ia ajudar, e minha agenda era flexível na época, fiz as malas e fui até ela”, diz. “Nos quatro meses que passei lá, conheci outras empreendedoras que não sabiam regras básicas de um negócio. Uma delas vendia bolo de pote a R$2, o que claramente não cobria nem seus custos”, diz. De volta ao Rio, Mester, que andava à procura de um novo propósito de vida, descobriu que queria ajudar as mulheres a se tornarem empreendedoras de sucesso: “Para a mulher, é sempre mais difícil. Ela tem de conciliar trabalhos domésticos, filhos e marido com o dia a dia da empresa. Até para ter um empréstimo aprovado é mais complicado”, fala. No segundo semestre de 2019, criou a Escola de MEI. “Já impactamos mais de 3 mil mulheres e atendemos mais de mil, tirando dúvidas, mentorando e as ajudando a abrir suas MEIs”, enumera Mester. As aulas – no YouTube, no Instagram e em lives – são curtas e objetivas, com linguagem acessível. “Mais do que uma plataforma de cursos, a Escola de MEI é um lugar de oportunidades, de trocas e networking para as microempreendedoras.” Depois de passar por aceleração e mentoria pelo Instituto Ekloos e pelo Instituto BAT Brasil, ela recebeu deles investimento que vem garantindo a operacionalização do negócio. Ainda neste ano, Mester aposta em um aplicativo gratuito de games que está desenvolvendo. A ideia é que ele torne o aprendizado ainda melhor e mais envolvente, além de possibilitar a captação de novos investimentos e receita de anunciantes. “Já ouvi das alunas depoimentos muito tocantes, como o de uma que, após ter acesso a conteúdo de estratégias de vendas e marketing, conseguiu expandir seu negócio e passou a viver desse trabalho. Saber que fiz a diferença na vida dela e de tantas outras não tem preço”, finaliza.

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