MOBILIDADE INCLUSIVA

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

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Infoglobo Conumicacao e Participacoes S.A.

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DATA BASE - FAVELA 5.0

Em 2017, quando os tradicionais aplicativos de transporte decidiram limitar sua área de atuação na cidade de São Paulo, muitos bairros ficaram, literalmente, a pé. Alvimar da Silva, 55 anos, era motorista de aplicativo e, como continuava sendo procurado pelos conhecidos, pensou que seria uma boa ideia fazer essas viagens como autônomo. Compartilhou o plano com a filha, Aline Landim, 32 anos, e, juntos, fundaram a JaUbra, empresa que funciona na Vila Brasilândia, área periférica da Zona Norte, e no seu entorno, transportando quem os outros apps não atendem. “Eu era bancária e comecei a ajudá-lo, conciliando os dois trabalhos. No início, a gente operava pelo WhatsApp. Meu pai distribuiu cartões pela vizinhança. Em pouco tempo, o boca a boca espalhou o serviço, ele precisou chamar colegas para dar conta da demanda, e logo se formou uma rede”, conta Landim. Em 2019, os dois terceirizaram parte da operacionalização, contratando um aplicativo para gerenciar o processo em que o cliente solicitava o carro. “A partir do pedido, a gente via qual motorista estava mais próximo, e o acionávamos pelo WhatsApp.” Na pandemia, os negócios pararam. Nesse período, pai e filha estudaram muito e, com recursos financeiros e conhecimento obtidos ao longo de quatro anos, quando participaram de rodadas de mentoria e aceleração por diferentes empresas, lançaram o app próprio, em janeiro de 2022. “Estamos fazendo a migração dos motoristas e o aplicativo está rodando bem. Atualmente, já são cerca de 200 cadastrados”, comemora a empreendedora. Ela afirma que apresentar uma nova forma de trabalhar para os motoristas da região foi gratificante. “São pessoas que moram no bairro e viram a oportunidade de trabalhar por aqui. Os custos com combustível são menores, e eles podem comer em casa. Além disso, notam a importância de fazer o dinheiro circular pela comunidade”, diz. O senso de coletividade e cidadania, aliás, é motivo de orgulho para ela e o pai. “Fico feliz em atender as pessoas que antes estavam desassistidas. Isso trouxe dignidade a elas. Já vi gente perguntando: “Mas o motorista vem me pegar na porta de casa?”. E há casos de pessoas que chamam a JaUbra em vez da ambulância, porque sabem que o Samu não vai chegar até o endereço delas. Aqui tem morro, viela, escadaria, beco. E a gente vai até onde o carro consegue, seja onde for”, conta. O faturamento da JaUbra vem da cobrança de uma taxa de 17% sobre o valor de cada corrida. No segundo semestre, o aplicativo deve receber os últimos ajustes e rodar com mais potencial, permitindo delivery e que profissionais como eletricistas ofereçam seus serviços. A ideia é que a receita seja incrementada com as novidades e a possibilidade de ter publicidade na plataforma. O plano de expansão é ambicioso: em cinco anos, a JaUbra quer reunir 135 mil motoristas, 4 milhões de usuários e faturar R$ 78 milhões.

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