LOJA VIRTUAL DEMOCRÁTICA

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

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DATA BASE - FAVELA 5.0

Em 2013, Ossanto Georges, 29 anos, imigrou para o Brasil, em busca de oportunidades para melhorar de vida. A dura realidade em seu país, o Haiti, depois do terremoto de 2010 e as crises política e econômica, tornou a sobrevivência para os cidadãos, especialmente os que viviam em favelas, como ele, bem difícil. Georges veio para cá por meio de um programa de acolhimento do governo federal, com o objetivo de estudar na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com o auxílio de uma bolsa. No primeiro ano, o currículo era focado em aprender a língua portuguesa. A partir do segundo ano, ele passou a cursar ciência da computação. Depois de mudanças no programa, porém, perdeu o subsídio e teve de deixar a universidade. Assim, em 2016, veio para São Paulo, onde acreditava haver mais oportunidades de trabalho, além de poder contar com a rede de apoio de haitianos que vivem aqui. Para dar conta da despesa de R$ 200 para morar na favela Nordestina, onde viveu durante quatro anos, e os R$ 600 para pagar uma faculdade particular para continuar os estudos, Georges teve de se virar: “Fiz de tudo: vendi tênis e jeans, trabalhei em restaurante…”, conta. Enquanto isso, além do aprendizado na universidade que não chegou a concluir, também pesquisava e aprendia programação como autodidata. Graças a essa formação, ele hoje cria aplicativos para web, desktop e servidores, que disponibiliza em plataformas como Bubble.io e Google Play Store. Também foi essa expertise que Georges usou com os sócios – os conterrâneos Emmanuel Germain, 22 anos, e Jemson Marius, 29 anos – para construir e lançar o Zeblinx, em janeiro deste ano. “Nosso aplicativo democratiza a chance de um micro e pequeno empreendedor ter uma loja online. É bem fácil de usar, e mesmo pessoas que não têm familiaridade com tecnologia conseguem montar e gerenciar seu comércio digital”, afirma. O app oferece um plano grátis e outro de assinatura mensal a R$ 39,90 – que dá direito a personalização e a mais recursos. Em ambos, o cliente monta o layout, faz a vitrine e tem integração com meio de pagamento e logística. A ideia é que, em julho, a empreitada chegue aos R$ 30 mil mensais de faturamento. “Temos um projeto de expansão ousado que inclui ser o Bling [software de gestão que, entre outras coisas, faz integrações com as principais plataformas de e-commerce e marketplace] do comércio popular daqui a uns anos”, vislumbra Georges.

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