DECOLAGEM AUTORIZADA

Depois de um período de queda vertiginosa por conta dos efeitos da pandemia, o segmento de turismo inicia uma retomada, com foco em destinos locais e experiências fora do óbvio

TEXTO DANIEL SALLES

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

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DATA BASE - DECOLAGEM AUTORIZADA

A retomada dos negócios de turismo no Brasil ganha novo fôlego com o arrefecimento da pandemia no horizonte. Veja a história de seis empreendedores Teve quarentena, segunda onda, ômicron, abre e fecha, dias pavorosos, dias de esperança, escalada da inflação, gasolina nas alturas e tudo aquilo que você já sabe de cor. Mas nada que tenha tirado a vontade do brasileiro de viajar – e sobretudo agora, com o arrefecimento da pandemia no horizonte (bate na madeira). De acordo com a Braztoa, entidade que representa as operadoras de turismo brasileiras, essas empresas faturaram R$ 7,1 bilhões em 2021. É um resultado 77,3% melhor que o de 2020, o ano em que quase ninguém saiu de férias – pelo menos não como gostaria –, embora 54,8% pior que o de 2019. Já as viagens de avião intermediadas pelas operadoras cresceram 124% no ano passado (aumento de 14,2% em relação a 2019), totalizando 7,1 milhões de passageiros embarcados. Os números mostram que as agências de turismo ainda não voltaram aos patamares de antes da pandemia, que fez o faturamento delas retroceder a níveis dos anos 1980. Mas já se assemelham ao registrado em 2010. Boa parte da retomada até aqui é creditada a um efeito colateral positivo: por culpa dos entraves ao turismo internacional, os brasileiros parecem ter abraçado os destinos locais. Não à toa, o hotel Canto do Irerê, em Atibaia, no interior de São Paulo, ficou lotado em todos os finais de semana desde a inauguração, em dezembro de 2020. E olhe que os donos cogitaram vendê-lo, com receio de que não fosse aparecer quase ninguém (leia mais sobre o empreendimento e outros que sobreviveram à pandemia nas próximas páginas). A Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, divulgou que 5,5 milhões de viajantes foram transportados em voos nacionais em fevereiro deste ano, o que representa um salto de 28% em relação a 2021. O órgão também anunciou que em janeiro – no auge das férias de verão, portanto – os aeroportos do país registraram 7,5 milhões de embarques nacionais. Representa um aumento de 22% na comparação com o mesmo mês do ano passado. “Essa movimentação gera impacto positivo e aponta para o resgate gradual do turismo brasileiro”, comemora Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA). “O setor tenta sair da depressão causada pela covid-19 há dois anos.” Outro dado recente que anima o segmento saiu do Ministério do Trabalho e Previdência: em fevereiro, 150 mil pessoas foram contratadas para atividades ligadas ao turismo. Esse volume corresponde a quase a metade (45,6%) dos 328.507 novos postos de trabalho registrados em todos os setores nesse mesmo mês. Esquecer quão devastadora a pandemia foi para o setor beira o impossível. Pelas contas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 35,5 mil empresas do ramo fecharam as portas em definitivo em 2020 – o número corresponde a 13,9% das que estavam na ativa no ano anterior. Restaurantes e bares tiveram o maior número de baixas – 28.610. Hotéis, pousadas e afins que baixaram as portas foram 3.040. Agências de viagens que deixaram de existir: 1.390. Não parou por aí: houve 2.460 fechamentos de outros tipos de empresas do segmento, incapazes de sobreviver sem turistas. O estado que mais registrou quebras foi São Paulo, com 30,7% do total, seguido por Minas Gerais (11,5%), Rio de Janeiro (10,4%) e Paraná (7,3%). Quase 90% dos empreendimentos encerrados eram de micro ou pequeno porte. Somados, os tombos equivalem às quedas registradas em 2016, motivadas pela recessão econômica. Também de acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, o setor perdeu 397 mil empregos em 2020, uma queda de 12,8% em relação a 2019. Felizmente, tudo isso parece ter ficado no passado (bate na madeira novamente). Depois de meses desafiadores, hotéis, agências, restaurantes e demais empreendimentos do segmento vivem dias de esperança, com a expectativa que o próximo verão seja como o de 2019 – no qual o turismo crescia em velocidade de cruzeiro.

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