Maré a favor

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

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Infoglobo Conumicacao e Participacoes S.A.

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DATA BASE - DECOLAGEM AUTORIZADA

A não ser pelos guarda-chuvas coloridos que eram mantidos abertos, sobre as mesas, o restaurante Preta parece o mesmo de antes da pandemia. Até o número de funcionários voltou ao que era – parte da equipe foi desligada na quarentena, que manteve o estabelecimento fechado por sete meses. “Desde o ano passado, a clientela voltou em peso”, diz a proprietária, a chef Angeluci Figueiredo, 48 anos. “Todo mundo parece estar com uma sede que não passa de rever o mundo e de celebrar com amigos e parentes.” Especializado em pescados, o restaurante fica na Ilha dos Frades, que vive do turismo, e a 1h30 de barco de Salvador – o empreendimento de Figueiredo é o principal chamariz do local. É de se imaginar, portanto, que não deu para contar com delivery ou take-away para diminuir o prejuízo da quarentena. Nem com a Pretoca, a pousada do restaurante – inaugurada em março de 2020, ela hoje vive lotada, mas demorou para engrenar. Para manter o fluxo de caixa na quarentena, a chef se instalou na casa que mantém em Salvador para assar peixes com cogumelos, batata-doce, abóbora e outros ingredientes do tipo. Foram vendidos inteiros, nas redondezas, a R$ 170 cada um. A divulgação foi feita por meio do WhatsApp, e um único motorista foi incumbido das entregas – os pacotes não caberiam no bagageiro das motos. Baiana de Amargosa, ela também confeccionou o que apelidou de “caixas de memórias afetivas”. Sugeridas como presente para familiares, vinham repletas de itens customizados como porta-retratos e comidinhas – os preços iam de R$ 800 a R$ 4 mil. Quando achou que era a hora de voltar para a Ilha dos Frades, onde mora, a empreendedora lançou o delivery do Preta. Era restrito às embarcações que ancoravam na região. “Durou dois meses”, recorda ela, acrescentando que a ideia não se mostrou exitosa. “O que gosto de fazer é receber pessoas.” Agora, os guarda-chuvas foram substituídos por galhos secos e flores desidratadas. “Como todo mundo estava copiando a decoração, achei melhor trocá-la”, diz a chef, que não revela quanto fatura.

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