REGRAS CLARAS

2022-05-05T07:00:00.0000000Z

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DATA BASE - OS NOVOS NEGÓCIOS FAMILIARES

A trajetória da Vinícola Góes, de São Roque (SP), começa bem antes da sua data oficial de fundação, em 1963. Nas décadas de 1910 e 1920, os irmãos Benedito e Firmino de Góes mantiveram uma pequena produção de vinhos. O negócio cresceu lentamente, e os dois decidiram terminar a sociedade devido ao grande número de filhos: Benedito tinha oito, e Firmino, sete. Cada um seguiu com sua própria fabricação. Dos filhos de Benedito, quatro continuaram no negócio. “Eles não tinham uma visão empreendedora”, diz Claudio Góes, 59 anos, que, ao lado do irmão Fabio, 40 anos, representa a quarta geração da família na gestão. A entrada de Gumercindo Góes, pai de Claudio, na década de 1960 marcou o surgimento da vinícola que leva o sobrenome da família. A sucessão sempre ocorreu sem maiores problemas, geralmente com o mais velho assumindo as maiores responsabilidades. Em 1985, quando tinha 22 anos, Claudio passou a trabalhar na vinícola. “Comecei por baixo”, conta. “Fui carregador de caixas de uva e de vinhos, e até motorista que fazia as entregas.” Coube a ele promover, na década de 1990, as mudanças mais importantes da empresa até ali, como a formalização de processos internos, a padronização dos vinhos, a criação de novos rótulos e o uso estratégico dos canais de distribuição. Novas tecnologias propiciaram o aumento da produção. Claudio apostou no enoturismo, transformando a sede num atrativo para visitantes. Dez pessoas da família trabalham na vinícola. O mais novo é o enólogo João Góes, de 22 anos. Claudio começou agora a pensar em sua sucessão e contratou uma consultoria. Algumas regras já estão valendo. O familiar tem de passar por um processo de seleção normal. Se aprovado, assume a vaga, caso contrário passa a fazer parte do conselho de administração. Nenhum Góes pode ingressar na empresa ocupando cargo de gerência ou de diretoria. A pessoa deve ser avaliada e conquistar posições de acordo com seus resultados. É desejável, mas não obrigatório, ter experiência anterior. “É um negócio tradicional, mas que ao mesmo tempo sente necessidade de gente capacitada na liderança e que possa introduzir novas tecnologias”, diz Claudio.

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