DE BEM com O PERÍODO MENSTRUAL

Comandada por avó e neta, marca produz absorventes reutilizáveis feitos de tecido

TEXTO REBECCA SILVA FOTOS TAMARA LOPES

2022-07-28T07:00:00.0000000Z

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FRONT END | SUSTENTABILIDADE

Maria Letycia Souza dos Santos, 20 anos, é a mais velha dos sete netos de Maria Íris de Souza Oliveira, 72. Entre os familiares, há quem diga que uma não desgruda da outra. Com razão. “Minha avó é a minha mãe, madrinha, melhor amiga. Fazemos tudo juntas – para onde eu vou, ela vai junto”, conta Santos. Há pouco mais de dois anos, sofrendo com desconfortos durante o período menstrual, a jovem encontrou informações e tutoriais na internet sobre os absorventes reutilizáveis, feitos de tecido. Decidiu experimentar e pediu que a avó fizesse alguns para ela, já que Oliveira sempre trabalhou com costura e já teve até uma fábrica de calçados e bolsas. Com pouco tempo de uso, Santos percebeu que não odiava mais a chegada do período menstrual. Teve então a vontade de proporcionar o mesmo para outras pessoas. Em fevereiro de 2020, criou a marca Ecoforeva. “Minha avó segurou a minha mão nesse projeto e juntas cuidamos de tudo”, conta a jovem. Os absorventes da marca são produzidos em um quarto na casa da família, em Fortaleza (CE), onde a jovem cuida do corte e do molde e a avó faz a costura. Eles estão disponíveis em três tamanhos, semelhantes aos absorventes tradicionais encontrados no mercado, e são feitos com uma combinação de tecidos. A primeira camada, que entra em contato direto com o corpo, é 100% algodão. Depois, vêm um tecido hiperabsorvente e o waterblock, material impermeável para impedir vazamentos. A durabilidade estimada das peças é de três a quatro anos. Por causa da pandemia, que começou pouco depois da criação da marca, as vendas ficaram suspensas por alguns meses para não expor Oliveira. Enquanto isso, Santos se concentrou nas redes sociais, produzindo conteúdo informativo e criando uma comunidade em torno da Ecoforeva. Um vídeo gravado com a avó para responder a dúvidas sobre esse tipo de absorvente foi especialmente importante para o crescimento da marca. “Muita gente se identificou comigo, com ela e com o produto, que tem tecnologia, é confortável e sustentável”, afirma Santos. O público-alvo são adolescentes e jovens de 13 a 22 anos, mas a empreendedora diz que a marca atrai clientes de todas as idades, do início da menstruação até o período próximo à menopausa. Segundo ela, a ideia é criar um espaço onde meninas como ela possam encontrar conteúdo sobre menstruação de forma leve e divertida. “Não precisa ser sério, distante. Dá para ser descontraído, com memes e referências do mundo pop”, aponta. O Instagram da marca reúne quase 20 mil seguidores. Desde que a Ecoforeva foi criada, cerca de 2 mil pessoas compraram os produtos. Para este ano, Santos pretende atender a pedidos de outros países, cuidando de uma demanda que já existe na América Latina, em Portugal e em Angola.

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