FORA da TOCA

Deia Lopes aprendeu a cozinhar em hotel e empreendeu com tapiocas. Hoje fatura R$ 500 mil com o Toca da Tapioca e acaba de lançar em supermercados uma massa ultracongelada

POR PAULO GRATÃO

2022-07-28T07:00:00.0000000Z

2022-07-28T07:00:00.0000000Z

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FRONT END | COMIDA

Foram necessários muitos anos de terapia para que Deia Lopes, 35 anos, entendesse que o empreendedorismo já era parte de sua vida desde antes mesmo de ela saber o significado do termo. Ela ficou nacionalmente conhecida ao participar do reality show Cook Island, transmitido pela GNT. Mas, antes disso e do sucesso do restaurante focado em tapiocas criado por ela, teve uma trajetória cheia de obstáculos. Lopes cresceu com 12 irmãos e foi criada principalmente pela mãe. O pai viajava muito a trabalho, para São Paulo. Era quando ele retornava que a família conseguia fazer as três refeições do dia. Diariamente ela via a mãe torrar e vender amendoins na rodoviária de Ubaitaba (BA), sem a certeza de que voltaria para casa com o suficiente para colocar comida na mesa. Lopes acompanhou a mãe muitas vezes e acabou ligando o ato de vender os amendoins a ter o que comer. “Acredito que minha veia empreendedora veio dessa cena de uma mulher forte e aguerrida”, afirma. Aos 13 anos, resolveu ir a São Paulo, onde trabalhou em diversas ocupações. Aos 21, porém, seis meses após se tornar mãe, voltou para a Bahia. Passou a atuar em uma cozinha de hotel, onde aprendeu a cozinhar e cresceu como profissional. Ao mesmo tempo, trabalhava em um resort fazendo tapiocas, e na cozinha de um restaurante local. A empreendedora conta que, nessa época, passou a conversar sobre negócios com um empresário do ramo de cosméticos que conheceu por intermédio da irmã. Foi assim que teve a inspiração de abrir a própria empresa e decidiu que empreenderia com suas elogiadas tapiocas. Em 2009, com uma sócia – que saiu após três meses –, ela abriu a Toca da Tapioca, em Uruçuca, no sul da Bahia. “Usei o dinheiro das férias para abrir a primeira casinha. Ia olhando o que o público gostava e fazendo. Passei muito perrengue, ninguém nasce sabendo empreender.” Com o passar dos anos, conseguiu se estruturar. Estava pronta para fazer novos investimentos no negócio quando chegou a pandemia. Lopes acabou gastando todos os recursos tentando manter a Toca da Tapioca, e precisou montar a operação de delivery em tempo recorde. “Era pós-verão, então tínhamos ainda um bom estoque para nos virarmos.” Um dia, em uma ida ao supermercado para buscar insumos, teve um novo insight ao ver um pacote de massa semipronta à venda: ia fazer discos de tapioca para colocar na prateleira. Desenvolver o item não foi fácil. Ela fez testes, estudou ultracongelamento e, depois de alguns erros, conseguiu criar o produto. Agora, se prepara para levar as tapiocas a supermercados de todo o país – e já pensa também em exportar. Lopes não arrisca números, mas espera que essa frente se torne maior do que o próprio restaurante daqui a um ano. Em 2021, a casa faturou R$ 500 mil.

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