FRANQUEADO 2.0

TEXTO MÔNICA KATO FOTOS CAMILA CARA , JOSÉ MEDEIROS E THAYNÁ BONIN

2022-07-28T07:00:00.0000000Z

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Infoglobo Conumicacao e Participacoes S.A.

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SUMÁRIO

Nos últimos dois anos, o franchising ganhou novos perfis de franqueado, que aproveitaram formatos de negócios mais econômicos e flexíveis. Confira histórias de quem apostou nessa nova onda Nos últimos dois anos, o franchising ganhou novos perfis de franqueado, empreendedores que aproveitaram formatos de negócios mais econômicos e flexíveis. Conheça histórias de quem apostou na nova onda das franquias A pandemia ainda não acabou, mas é possível ver alguns impactos positivos da retomada das atividade presenciais – no trabalho e no convívio social. O franchising é um dos setores que vêm se beneficiando disso e mantendo o ritmo de recuperação. Dados da Pesquisa Trimestral de Desempenho do setor de franquias, realizada pela ABF (Associação Brasileira de Franchising), mostram que as redes cresceram 8,8% em faturamento no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já em relação à receita, este é o quarto trimestre consecutivo de alta. Para André Friedheim, presidente da ABF, a recuperação está intimamente ligada ao retorno das atividades em pontos de venda físicos. Mas ele também dá crédito às vendas digitais, um claro aprendizado trazido pela pandemia. “Estamos caminhando para um ambiente de negócios cada vez mais híbrido, com uma forte interligação entre o on e o offline, o que pode abrir novos caminhos para o setor”, afirma. Para quem quer investir em franquias, isso tem significado mais portas abertas. “Primeiro, aumentaram as oportunidades de se investir em franquias, já que novas marcas decidiram franquear. Depois, houve crescimento de novos formatos de modelos de negócios. Com esses dois elementos combinados, ao mesmo tempo em que surgiram novos franqueadores, também aumentaram as possibilidades de negócios para empreendedores que já estavam atuando com franquia”, afirma Rodrigo Abreu, diretor de marketing e comunicação da ABF. EM MOVIMENTO De acordo com dados da pesquisa da ABF, houve um incremento nos formatos de unidade mais enxutos, de menor investimento e com maior flexibilidade. Em 2020, as franquias home-based representavam 7,1% do total das unidades das redes pesquisadas. No ano passado, elas eram 10,3% e, em 2022, subiram para 14,8%. “O que se busca é uma maior eficiência, sobretudo em um cenário com inflação elevada. Está claro que, com lojas mais enxutas e mais tecnologia embarcada, podemos vender com um tíquete maior e ter melhor lucratividade”, diz o presidente da ABF. Home-based (trabalho baseado em casa), home office (trabalho remoto em qualquer lugar fora da empresa, inclusive em casa), modelos de negócios com menor investimento dentro de franquias tradicionais, microfranquias e franquias digitais foram modalidades adaptadas que o mercado passou a oferecer em maior volume. “Na recente feira da ABF, notamos muitas redes apresentando modelos de menor investimento, como as da área da educação. Também vimos contêineres; carros, carrinhos e até tuk-tuks; vending machines; dark kitchens; store in store e concessionárias digitais”, conta Friedheim. A oferta de pontos alternativos – como postos de combustíveis, prédios residenciais e comerciais, lojas de conveniência, clubes, hospitais e lojas dentro de lojas – também cresceu. “Isso pôde ser visto no formato store in store, por exemplo, onde não é necessário investir em um ponto próprio e ainda dá para otimizar um local ocioso”, diz Lyana Bittencourt, CEO da Bittencourt Inteligência em Rede de Negócios, que presta consultoria em franquias. Para Friedheim, considerar pontos alternativos traz às franquias a chance de alcançar mais lugares no Brasil, incluindo cidades e bairros de menor porte. UMA POSTURA DIFERENTE Além das novidades em termos de modelo de negócio, houve ainda mudanças de comportamento do franqueado. “Para começar, ele teve de se tornar mais ativo. Com equipes menores, assumiu um perfil mais operador, colocou a mão na massa. A pandemia fez com que ele fosse mais proativo e mais digital, reconhecendo que a mesma loja pode ser física e virtual ao mesmo tempo. Sem dúvida, precisou desenvolver mais competências”, afirma Abreu. Vários aproveitaram oportunidades de repasse de unidades já em funcionamento. Pelo lado do franqueador, da mesma forma, houve adaptações. Se antes muitos exigiam justamente esse papel de franqueado operador, 100% envolvido no dia a dia do negócio, agora passaram a aceitar melhor o papel do franqueado investidor. “Isso é bom, porque contratar um profissional para tocar o negócio pode ajudar o franchising no sentido de encontrar novos modos de trabalhar e novas formas de crescer”, afirma Abreu.

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